ALFABETIZAÇÃO E DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA DE QUÍMICA POR MEIO DA PRODUÇÃO DE HISTÓRIAS EM QUADRINHOS
Esta postagem tem como objetivo divulgar o projeto de pesquisa desenvolvido por Adriana Yumi Iwata, em meio a sua dissertação de mestrado, apresentada como parte dos requisitos para obtenção do título de Mestre em Química sob a Orientação da Profa. Dra. Karina Omuro Lupetti, intitulado ALFABETIZAÇÃO E DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA DE QUÍMICA POR MEIO DA PRODUÇÃO DE HISTÓRIAS EM QUADRINHOS.
Segundo Adriana Yumi Iwata "o projeto de pesquisa, de caráter qualitativo, apresentou e analisou o processo de alfabetização científica de uma atividade realizada com dois grupos: o primeiro grupo com alunos de graduação e o segundo grupo com alunos de ensino médio. Promover a alfabetização científica é um fator necessário ao considerar que a maior parte do público ainda julga a ciência como restrita aos cientistas e pesquisadores e sem possuir relação com seu cotidiano. Durante o processo, o alfabetizado cientificamente compreende não só a ciência em si mas também é capaz de percebê-la em seu dia a dia e futuramente contribuir como cidadão. Optou-se pelas Histórias em Quadrinhos (HQs) como assunto principal do trabalho de pesquisa devido às suas características singulares, utilizando tanto o texto quanto a imagem para transmitir uma informação ou mensagem, o que se constitui num instrumento interessante para se trabalhar o processo criativo de um indivíduo ou de um grupo. Os quadrinhos japoneses, denominados mangás, foram escolhidos como foco para promover algumas atividades de desenho e oficinas com os alunos. Com o objetivo de promover a alfabetização científica dos alunos e difundir a prática da divulgação científica através do uso das HQs em mangá, foram propostas várias atividades, tais como oficinas de experimentos, visitas técnicas a departamentos de pesquisa, atividades de desenho e HQ. Ao final das atividades, os alunos apresentaram uma HQ de divulgação científica, incluindo química. O projeto de pesquisa promoveu a alfabetização científica dos alunos e contribuiu para a divulgação científica de química por meio da produção de quadrinhos científicos."
Tirinhas produzidas pelos estudantes no âmbito da pesquisa
Conclusões da autora
"Comparando as respostas dos questionários diagnóstico e final, é possível notar uma mudança na linguagem dos alunos ao definir a química como ciência, o que inicialmente foi feito por poucos alunos no questionário diagnóstico. Além disso, a própria visão dos alunos no que se refere à química inserida no seu cotidiano foi modificada, sendo que 2 alunos demonstraram perceber mais essa relação depois das atividades realizadas na ACIEPE. Nas HQs é possível notar, pela escolha do tema dos alunos da ACIEPE a influência das oficinas de experimentos e gastronomia molecular (HQs 2 e 3, respectivamente), da visita ao LAMAV e oficina de vidros (HQ 4) e da visita ao DGR (HQ 1) a inspiração para o tema de suas histórias, permitindo concluir que tais oficinas e visitas despertaram a motivação e o interesse pelos assuntos abordados. Quanto aos alunos do colégio, a inspiração para o tema de sua história veio da própria proposta da oficina, de unir a ciência por meio da arte, no caso o desenho, evidenciando assim que eles consideram a proposta interessante e motivadora, fato este que foi explorado na HQ.
No que se refere à linguagem científica das HQs, verificou-se que os alunos tentaram adequar a linguagem e explicação de termos científicos ao público-alvo especificado, ainda que em alguns casos a HQ não seja adequada a um público mais amplo por tratar de temas específicos sem uma explicação prévia. A HQ 3 aborda o modelo de Thomson e a reação do gelo seco com a água, sendo esta última demonstrada só visualmente, necessitando de uma explicação sobre o fenômeno para que aqueles que não saibam o que ocorre na reação sejam capazes de compreender o humor contido na tirinha. A HQ 2 realiza uma comparação interessante entre vidro e cristal, mas a explicação do conceito, em especial sobre a estrutura desordenada do vidro, não ficou muito clara na história, leitor que não tenha conhecimento sobre a estrutura do vidro possa realizar comparações equivocadas ou errôneas, baseado no conceito de desordem na vida das pessoas. Na HQ 4, é possível notar a explicação de termos e reações químicas de forma mais detalhada, sem perder o formalismo nas reações e nos termos científicos, sendo considerada a única HQ classificada nas 3 categorias propostas por Miller por abordar uma linguagem científica básica, explicar porque ocorrem os fenômenos observados nos experimentos e propor soluções de problemas baseado no conhecimento de propriedades dos compostos. Ao comparar algumas das HQs produzidas pelos alunos com as encontradas via internet, notam-se algumas similaridades no que se refere à forma como o conteúdo científico foi apresentado, de acordo com o formato escolhido: nas tirinhas optou-se por uma linguagem sem muitas explicações técnicas (HQs 2 e 3), já nas HQs com formato padrão foram apresentadas explicações científicas mais detalhadas (HQs 4 e 5), o que é um ponto interessante a se levar em consideração, o quanto o formato utilizado na produção da HQ pode influenciar em termos de abordagem do conteúdo científico, ainda que hajam exceções a esses casos. Notou-se a utilização do recurso visual como forma de realizar as explicações nos quadrinhos, evidenciado na HQ 1, em que propôs explicar a diferença entre as etapas no processo de fabricação do polímero por meio do desenho. Na HQ 5, utilizou-se de uma ilustração do cérebro, com a indicação de cada componente, de forma que o leitor possa conhecer um pouco mais sobre sua constituição interna. A HQ 6, apesar de não ter sido classificada na categoria 1, soube utilizar bem o recurso visual, ilustrando de forma clara tanto o ambiente da história, no caso a escola com uma infraestrutura precária, encontrada comumente em nosso país; mas também a vontade de ensinar do professor, que utiliza de outros recursos, no caso a ilustração, para a aprendizagem de seus alunos."
Texto extraído de repositório ufscar
Dissertação de Mestrado
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