Edimara Vieira & Maria Abib: Histórias em Quadrinhos e Formação de professores de Ciências: O que dizem as pesquisas?

Histórias em Quadrinhos e Formação de professores de Ciências: O que dizem as pesquisas?

Aqui, o objetivo é divulgar o artigo de Edimara Fernandes Vieira & Maria Lucia Vital dos Santos Abib, apresentado e publicado nos anais do XI Encontro Nacional de Pesquisa em Educação em Ciências – XI ENPEC Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, sob o título Histórias em Quadrinhos e Formação de professores de Ciências: O que dizem as pesquisas?

Segundo Edimara Fernandes Vieira & Maria Lucia Vital dos Santos Abib "este artigo é resultado de um levantamento bibliográfico que teve como propósito identificar de que forma a utilização de histórias em quadrinhos (HQs)em cursos de formação inicial e continuada de professores de ciências comparecem em publicações acadêmicas. Para estabelecer a pesquisa foram selecionados e analisados artigos publicados em eventos e revistas especializadas em ensino de ciências e HQs entre 2001 e 2016. O aporte teórico-metodológico permitiu evidenciar que os textos voltados à exploração das HQs na formação se estruturavam a partir de quatro unidades principais: 1) ações formativas; 2) função formativa das HQs; 3) construção teórica para HQs; 4) pressupostos formativos associados. Das práticas articuladas, pudemos observar que a consonância (ou a falta de consonância)entre os pressupostos formativos adotados e a construção teórica tecida para justificar a presença das HQs no contexto formativo impactaram significativamente sobre as ações formativas elaboradas e as funções atribuídas às HQs."
Texto extraído de ACERVO ABRAPEC

Mostra da pesquisa realizada

Dados compilados pelas autoras - extraído de  ACERVO ABRAPEC


Conclusões da autora

"Em relação aos contextos articulados, o que mais nos chamou atenção foi a coerência (ou a falta desta) entre a concepção teórica estabelecida para justificar a presença das HQs e os pressupostos formativos adotados. Vale então relembrar que estes pressupostos compuseram três grupos: a) pautada em elementos da linha crítica e reflexiva; b) pautada em elementos da linha reflexiva e técnica, com ênfase na linha reflexiva; c) pautada em elementos da linha reflexiva e técnica, com ênfase na linha técnica.
Nas situações pautadas em elementos da linha crítica e reflexiva, os contextos formativos apresentaram maior predileção por justificar a importância das HQs na formação a partir das concepções de linguagem apresentadas por Eisner (1989) e Eco (2015). De tal forma a explorar fortemente as relações entre estas e os pressupostos mais marcantes da linha crítica apresentados por Giroux (1988) e Freire (1967) e alguns pressupostos da linha reflexiva de Zeichner (1993, 2008). Nestas articulações, as ações formativas mais recorrentes foram as produções de HQs autorais, constantemente associada a processos de construção de autonomia, criatividade e criticidade.
Em contextos pautados em elementos da linha reflexiva e técnica, com ênfase na linha reflexiva, as concepções sobre as HQs no ensino de ciências defendidas por Testoni (2004), Soares Neto (2012) e Nascimento Junior (2013), se fizeram mais latentes para justificar a presença das HQs no contexto formativo. A partir destas, os formadores apropriaram-se dos principais pressupostos do modelo reflexivo de Zeichner (1993, 2008) e alguns elementos da linha técnica apresentados por Elliot (1994). Nesta articulação, as ações formativas centram-se tanto em instigar busca de materiais significativos para construção de planos de ensino, quanto na produção de HQs autorais. Ambas as propostas estiveram vinculadas à necessidade de desenvolvimento profissional no âmbito da coletividade.
Entretanto, nas situações pautadas em elementos da linha reflexiva e técnica, com ênfase na linha técnica, as construções teóricas sobre HQs apresentaram-se conflitantes com as posturas metodológicas adotadas, na medida em que os contextos formativos orientavam-se majoritariante pelos elementos da linha técnica. Logo, enquanto defendia-se a importância das HQs na formaçãosituadas em âmbitos dicotômicos e hierarquizados. Esta situação incorporou-se às três ações formativas. Entretanto, a divulgação de propostas pré-concebidas foi uma articulação típica desta situação. Também vale destacar que na situação descrita, as HQs serviram para a manutenção de estruturas formativas como as apresentadas por Fernandes (1997), Fourez (2003) e Cunha e Krasilchik (2000), denotando que, embora as HQs potencializem uma formação mais contextualizada ou até inovadora, esta não está blindada de ser associada a escolhas metodológicas e ideológicas mais tradicionais.
No que concerne a este estudo, nos limitamos a dizer que defendemos que é necessária uma consonância entre as justificativas que levam um formador a introduzir HQs em suas aulas e as premissas formativas defendidas por este, estejam estas implícitas ou explicitas. Por conta disso, devemos admitir que as HQs, assim como quaisquer atividades formativas tidas como inovadoras, não podem ser interpretadas como meios suficientes em si para superar a atual crise do ensino de ciências. Contudo, é fundamental compreender que elas podem atuar como potenciais agentes de ruptura com as práticas dominantes na formação e consequentemente no ensino. Desta forma, precisamos destacar que a sistematização e estudo das publicações sobre HQs na formação nos incitaram mais questionamentos que certezas. Na medida em que esta nos forçou a questionar por exemplo, qual a validade ou impacto de uma formação técnica que se apropria das HQs como metodologia sistematizada ignorando seu caráter ideológico? Ou então, quais seriam os pressupostos formativos mais adequados para potencializar a inserção de HQs no contexto de formação, a fim de tentar contornar a crise em que o ensino de ciencias está imerso?

De uma coisa temos certeza, são escassos os estudos que tratam de HQs na formação de professores de física, química, biologia, matemática e ciências para as series iniciais, fazendo com que este se constitua um campo de pesquisa embrionário, mas ao mesmo tempo extremamente fecundo. Nesta medida, estudar HQs na formação envolve estudar as melhores práticas a serem desenvolvidas (ações formativas e funções das HQs nestas ações), as premissas formativas mais adequadas no âmbito destas práticas, as construções teóricas que deem conta de justificar a validade de práticas com HQs na formação. Assim como, estudar os impactos de articulações coerentes (ou não tão coerentes assim) entre as práticas, os pressupostos formativos e as construções teóricas para as HQs sobre as concepções de ensino e aprendizagem tecidas pelos licenciandos/ professores atendidos por formações que contemplam HQs."
Texto extraído de ACERVO ABRAPEC

Artigo


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